20 de abril de 2018

As últimas neves do inverno de 2018 em Paris - Les dernières neiges de l'hiver 2018 à Paris

O inverno europeu deste ano foi inusitadamente rigoroso. Foi duro até seus últimos dias.


Quem esteve em Paris na segunda quinzena de março, a poucos dias do início da primavera, por exemplo, chegou a se confrontar com uma inesperada nevasca.


A neve apareceu de repente no meio da tarde de sábado (17) e se repetiu na madrugada de domingo.

O espetáculo de sábado foi muito bonito. Ao sair da estação do metrô fui surpreendido por um ruído forte e constante. Olhando no entorno os flocos de neve caiam suavemente, em diagonal, soprados pelo vento.


Logo as árvores, as capota dos carros e os assentos das motos começaram a acumular neve. Os funcionários do hotel jogavam sal na calçada, para derreter o flocos que eventualmente se acumulassem.
 

Fotos e filmes, muitos, para todos os lados. Cada imagem mais linda que a outra.


O aplicativo também indicava muito frio e... neve. Mas até que não foi tão ruim. Um abrigo da Decatlon. uma calça de lã bem grossa (não vi nenhum francês com uma igual) e luvas de lã (também não ninguém de luvas em Paris!) deram boa proteção.


Não esperava, mas o noticiário do fim de fevereiro assustou, o frio continuava muito intenso. Mesmo com a primavera se aproximando.


Dia 21, quando a primavera começou, o sol tímido que hora sim, hora não, aparecia entre teimosas nuvens escuras, voltou a fazer Paris ser a festa que ela sempre é.
 A seguir, mais algumas fotos:

Uma pracinha perto da Notre Dame

No 'parvis" em frente à Notre Dame

As 'berges' do Sena

Texto e fotos do proprietário do blog

Texto ainda sujeito a revisão 

4 de março de 2018

Museu do Louvre, como enfrentá-lo pela primeira vez - Musée du Louvre, comment y faire face pour la première fois


Louvre, grande Louvre, Louvre monumental. Não é um, são vários. Há o Louvre da antiguidade oriental, o do Islã, o da antiguidade greco-etrusco-romana, o da Idade Média, o da África, Ásia, Oceania e Américas, o Louvre do Renascimento e dos acadêmicos. O Louvre é um museu universal e enciclopédico.

A multidão  diante do mais célebres dos quadros do louvre: Mona Lisa (Gioconda)

Para enfrentá-lo, há três formas: deixar-se levar ao longo das alas, corredores e salas, para ir contemplando as obras que mais nos chamam atenção ou que já conhecemos de nome, uma tarefa que pode ser feita com o auxílio de audiofones. Outra forma é definir as obras que se pretende ver ao vivo e a cores e ir direto, usando um dos roteiros impressos (tem em Português) postos à disposição dos visitantes. Uma derradeira opção é integrar um grupo com guia (por exemplo: https://www.pariscityvision.com/pt/visita-guiada-louvre).


 A galeria das clarabóias

O Louvre surgiu originalmente da reunião, em um só acervo, de toda a riqueza cultural até então em mãos da nobreza tirada de cena pela Revolução Francesa. Eram os bens próprios do rei e dos nobres que fugiram da França. A ideia era fazer com que todos os cidadãos tivessem acesso ao que era privilégio de poucos. Assim como servir de fonte de estudo para os artistas em geral.

 A Vitória de Samotrácia e seus admiradores

 Este tesouro com o tempo passou a receber também as obras de arte desapropriadas das instituições religiosas. E. à medida que República foi se consolidando e a importância da França foi crescendo extra fronteiras (colônias na África e no Oriente), novas fontes de abastecimento de bens culturais foram sendo abertas e grande parte disso foi abrigada no Louvre. Muita coisa foi, sim, tomada durante as guerras napoleônicas principalmente, mas tudo foi posteriormente devolvido
O resultado deste trabalho que já dura mais de dois séculos resultou no que é hoje o museu mais visitado do mundo. Que engloba oito departamentos.


 A Venus de Milo e a multidão à sua volta

 Tudo isso está distribuído em quatro pisos, sendo um em subsolo, um a rés do chão e dois andares superiores, e três alas Richelieu, Denon e Sully. O acesso é feito pela famosa pirâmide transparente  que se situa no centro de um enorme pátio quadrado denominado “Cour Napoléon”.
Uma das atribuições do Louvre é servir à formação dos artistas

O subsolo do Louvre abriga o acervo das obras medievais, a arte do Islã, as antiguidades egípcias, as esculturas e as antiguidades greco-etruscas e romanas. O piso térreo reúne as antiguidades orientais, mais antiguidades egípcias, gregas, etruscas e romanas, também esculturas e artes da áfrica, Ásia, Oceania e Américas. O primeiro piso ainda conta com antiguidades egípcias, gregas, etruscas, romanas, mas também apresenta pinturas, artes gráficas e objetos de arte. O segundo piso é só das pinturas e artes gráficas. 

 O pátio das grandes esculturas
O acervo do Louvre, mesmo imenso, não engloba a arte de todos os tempos. Sua coleção vai até 1848. A partir daí, as maiores coleções estão abrigadas nos museus do Petit Palais, do Orsay e no Centre Pompidou, além de inúmeros outros museus menores, como o Pablo Picasso, o Delacroix e o Rodin. 

Texto e fotos do proprietário do blog 

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2 de março de 2018

Paris Museum Pass, ou como facilitar as coisas em Paris - Paris Museum Pass, ou comment rendre les choses plus faciles à Paris


“Paris Museum Pass” é uma maneira cômoda e vantajosa de se obter acesso aos principais museus e monumentos de Paris e suas proximidades. Consiste de um cartão onde o usuário inscreve o próprio nome e a data do primeiro dia de utilização. A partir desta data, ele vale por dois, quatro e seis dias seguidos, aos preços únicos de 48, 62 e 74 euros* respectivamente por pessoa. A entrada nos locais, para quem possui o passe, dispensa a compra de bilhete e evita as filas, pois tem acesso direto.


Sim, eu não coloquei o nome, só a data (que eles cuidam, rapidamente)


O “Museu Pass” proporciona acesso a cerca de 50 dos principais pontos culturais da capital francesa, incluindo Museu do Louvre, Museu d’Orsay, Museu Nacional de Arte Moderna do Centre Pompidou no Beaubourg, Museu de Arts Decoratifs (da Idade Média aos nossos dias, junto ao Louvre), Museu Picasso, Museu Rodin, Museu Delacroix, Museu da Cerâmica em Sèvres (muito próximo a Paris), Museu do Mundo Árabe, Museu de Arte e História do Judaísmo e Cinemateca Francesa. Entre os monumentos históricos incluem-se Arco do Triunfo, Notre Dame, Panthéon, Sainte-Chapelle e Conciergerie, Invalides (Túmulo de Napoleão) e Musée de l’Armée, Capela Expiatória, Museu de Cluny/Museu Nacional da Idade Média e Cripta Arqueológica da esplanada de Notre Dame. Também proporciona acesso a vários locais interessantes como Cidade das Ciências e da Indústria no parque La Villette, Esgotos de Paris (lembra “Os Miseráveis” de V. Hugo), Philharmonie de Paris/Musée de La Musique também no Parque La Villette, Palais de la Decouverte/Universciense, próximo ao Grand Palais e Cidade da Arquitetura e do Patrimônio/Museu dos Monumentos Franceses. Das opções próximas a Paris destacam-se Palais de Compiègne, Chateau de Chantilly, de Fontainebleau, de Malmaison, Versailles e Trianon (pode acessar por metrô mais ônibus ou trem de subúrbio (RER) e Vincennes. Também consta da lista um marco importante da arquitetura mundial: a Villa Savoye, projeto de Le Corbusier.

O “Paris Museum Pass” é acompanhado da relação de todos os locais onde ele possibilita o acesso, com a indicação dos locais, meios de acesso e horário de funcionamento.

Quem conseguir visitar todos os locais que o “Paris Museum Pass” possibilita acesso terá contemplado quase tudo o que de melhor se fez em termos de arte e cultura no mundo inteiro e em todos os tempos. Diria mesmo que não é preciso ir mais nenhum outro lugar.

Onde comprar: há vários locais de compra, todos indicados no saite do “Paris Museu Pass”. Um dos que têm o acesso mais fácil é o guichê situado no subsolo do Arco do Triunfo, ao qual se chega por uma passagem subterrânea a partir da Av. Champs Élysées.


* os preços indicados são de março de 2018



Versailles é um dos locais onde se pode acessar com o Paris Museum Pass

28 de fevereiro de 2018

A arquitetura gótica e sua complexidade


Esta maquete retrata a Catedral de Notre Dame de Paris no estado em que se encontrava antes da restauração promovida em 1847 sob a supervisão dos arquitetos Jean-Baptiste Antoine Lassus e Eugène Viollet-le-Duc. Ela integra atualmente o acervo do Museu da Cidade e da Arquitetura da capital francesa. E mostra em detalhe a complexidade do sistema desenvolvido pelos arquitetos medievais para erguer suas magníficas construções.



27 de janeiro de 2018

O Palácio das Tulherias, que acabou em cinzas - Le Palais des Tuileries, qui s'est terminé en cendres

"As ruínas do Palácio das Tuileries" (1871) por Jean Ernest Meissonier
Ao fundo percebe-se o Arco do Triunfo do Carrossel do Louvre
Quando se contempla o enorme vazio situado entre o Museu do Louvre e o Jardim das Tulherias, tem-se a sensação de que ali falta alguma coisa. De fato falta, pois este espaço havia sido ocupado pelo Palácio das Tulherias, que começou a ser erguido em 1564, por ordem da rainha-regente Catarina de Medici (1519-1589). Aos poucos, chegou a se estender por quase 270 metros de comprimento e fechava pelo lado oeste o conjunto de pavilhões que formam o Louvre. 

Ilustração onde aparece a localização do Palácio das Tulherias fechando o conjunto do Louvre
A foto é do proprietário do blog

Tudo acabou, porém, em 1871, quando foi incendiado pelos revoltosos da Comuna de Paris, assim como outros prédios públicos e particulares da cidade. Suas ruínas foram retiradas, o terreno foi limpo e até hoje permanece aquele vazio em seu lugar. Chegaram a cogitar da sua reconstrução, mas a ideia foi abandonada. Só sobraram intactas as extremidades situadas respectivamente do lado da Rua de Rivoli e no lado da Via Georges Pompidou à margem do Sena. 
Ilustração: "As ruínas do Palácio das Tuileries" (1871) por Jean Ernest Meissonier

 O Arco do Triunfo do Carrossel do Louvre ficava próximo ao Palais des Tuilleries
Foto do proprietário do blog

 

28 de dezembro de 2017

“Acqua alta” de Veneza.

Veneza é uma cidade singularíssima: fica praticamente ao nível da água e é formada por 117 ilhas rasas que se espalham por uma lagoa costeira pantanosa, situada entre os rios Pó e Piave. Além, é claro, de ser dotada de uma riqueza arquitetônica e artística de tal dimensão que grande parte dela foi definida como Patrimônio da Humanidade.

A situação geográfica muito particular de Veneza proporciona um fenômeno que ocorre desde sua criação, mas que vem, por diversos fatores, se manifestando cada vez com maior frequência: a “acqua alta”, ou seja, a inundação das partes mais baixas da cidade, eventualmente podendo a chegar a quase toda a área emergente da lagoa. Entre as causas da “acqua alta” listam-se desde o famigerado “aquecimento global”, o bicho-papão do momento, à ocupação predatória do solo e das águas venezianas. Os prejuízos, por vezes, são enormes. 



Mas, no geral, o fenômeno causa apenas incômodos passageiros. Quando não é muito intenso, bastam pranchas e barreiras de madeira para possibilitar o trânsito das pessoas e proteger os prédios de inundações. As fotos mostram uma “ameaça” de “acqua alta”: o material está pronto para ser usado e em alguns pontos do passeio vê-se um início de infiltração da água. Mas, neste dia, tudo ficou mesmo só na ameaça.



Fotos de setembro de 2011










27 de dezembro de 2017

A Ponte dos Suspiros de Veneza - The Bridge of Sighs at Venice

"La Ponte dei Sospiri" é uma construção barroca que liga o Palácio dos Doges ao prédio onde funcionava o presídio de Veneza.


É assim chamada porque as estreitas frestas de suas janelas permitiam aos presos a que talvez fosse a última visão do mundo exterior, o que os fazia... suspirar. Muitos eram condenados da Inquisição.


Por ela passaram, por exemplo, Giordano Bruno, Silvio Pellico, Daniele Manin, Nicolò Tommaseo e Giacomo Casanova, que conseguiu dela fugir e deixou escrito nas suas paredes memórias do tempo em que esteve lá.



É possível para os turistas que visitam Veneza percorrerem as passagens que levavam do Palácio dos Doges, onde funcionava o tribunal de justiça, até o edifício ao lado onde ficavam as celas dos condenados. É o que mostram a  foto  acima e as que vêm a seguir.





  
As fotos são de setembro de 2011. 

5 de outubro de 2016

Edifício Kavanag, considerado o mais bonito de Buenos Aires


Uma enquete do jornal o 'Clarin' entre pessoas não especializadas em arquitetura, feita há não muito tempo, apontou o Edifício Kavanagh como o mais bonito de de Buenos Aires. Não e para menos, imponente nos seus 31 andares, ele é do tempo em que bom gosto e a pretensão de agradar o olhar era um elemento fundamental na construção civil e na arquitetura. É um prédio de beleza sóbrias, que se impõe ao olhar. Parece a casa de um super-herói de histórias em quadrinhos. Conheci-o num domingo quente de dezembro de 1975 e suas formas ficaram na minha memória. Em 2009 andei por perto, mas não tive oportunidade de fazer fotos. O que só veio a acontecer em 2011, quando passei por Buenos Aires de retorno da Patagônia. Foi quando fiz as fotos que ilustram esta postagem (que dispensam legendas).










Fotos do proprietário do blog

2 de outubro de 2016

Um passeio pelos canais do Delta do Rio Paraná

É um percurso que vale à pena: muito ar, muita água, muito verde e silêncio. Aqui e ali os moradores locais aproveitando o dia bonito para se exercitarem nos remos. Muitas construções, tipo clubes náuticos, lembram estilos ingleses do fim do Sex. XIX e do início do Sec. XX. Tudo muito chique. 
Tigre é uma cidade da província de Buenos Aires. Experimentou, a partir da década de 1990, uma enorme valorização imobiliária, com a construção de grandes empreendimentos, inclusive um cassino.



Um dos clubes náuticos






Casa de Sarmiento




Cemitério de navios em frente ao porto de Tigre
Fotos de março de 2008