27 de dezembro de 2015

Templo Positivista em Paris e em Porto Alegre

Há um terceiro templo no Rio de Janeiro, mas este ainda não tenho foto.
O de Paris, me deparei com ele por acaso em agosto deste ano, quando estava a caminho do recém inaugurado Museu Picasso. O prédio francês é o das fotos abaixo.





Curiosidade: o  templo parisiense fica ao lado do "hôtel particuler" do célebre arquiteto François Mansart ("considéré comme le principal précurseur de l’architecture classique en France"), retratado nas fotos a seguir.
 



 
Em Porto Alegre, temos as fotos a seguir do templo que situa-se na Av. João Pesoa, entre a Av. Ven. Aires e a Av. José Bonifácio. Talvez seja o único que ainda tenha vida: fica aberto nos domingos pela manhã, quando é frequentado pelos adeptos da "Religião da Humanidade".
 







Texto e fotos do proprietário do blog
 

7 de outubro de 2015

O muquifo da Publicis na Champs Élysées (Publicis Drugstore)



Cada vez que passo em frente me pergunto: "Como é que pode!?" O local é histórico: chamava-se originalmente Hotel Astoria a construção foi encomendada pelo primeiro cliente de Paul Daimler, um diplomata austro-húngaro apaixonado por carros e que tinha uma filha chamada Mercedes... (Daimler, Benz, Mercedes Benz...) Foi quartel-general das Forças Aliadas no imediato Pós-Guerra e, desde 1958 é sede do que se transformou num dos três maiores grupos de propaganda/publicidade do mundo, o Publicis. Na revitalização o prédio, resolveram criar no térreo o que acharam por bem denominar de Publicis Drugstore. Era uma época em que o acirrado antiamericanismo do pós-guerra já havia sido suplantado pela subserviência aos padrões do "american way of life". A Publicis Drugstore abriga uma brasserie, um bar, uma farmácia (já comprei ibuprofeno e paracetamol lá), uma cave de vinhos, um quiosque de jornais do mundo, uma livraria (já comprei umas agendas lá) e uma sala de cinema. Na época, tornou-se um "point" da moda, preferido dos notívagos de Paris por funcionar até o começo da madrugada. Até aí, vá lá, o ruim é a casca de acrílico (ou similar) em que enveloparam o prédio, uma "modernidade" que aos olhos de hoje parece de extremo mau-gosto (ao menos para mim parece). E bem ali, pertinho do Arco do Triunfo. Só podia ser coisa de publicitário. Como pode?

(Foto e texto do proprietário do blog. Redigido em 07/10/2015)
 

21 de setembro de 2015

Ibis Styles Paris Bercy - Sugestão de hotel em Paris


 É um hotel mais para executivos, mas nem por isso deixa de lotar de turistas. Tem uma localização excelente, a poucos passos da estação ferroviária Gare de Bercy e da estação de metrô de mesmo nome. Para completar, em frente ao hotel há uma parada de ônibus (linha 24), que depois de um breve percurso na Rive Droite, passa a fazer um longo trajeto pela Rive Gauche (Notre Dame, Musée d'Orsay, Saint Germain etc...).


 Escolhi este hotel para me hospedar na mais recente estada na capital francesa, agora em agosto (2015), tanto pela facilidade de locomoção quanto pela sua localização. Bercy uma dos lugares mais interessantes de Paris.


 No Bercy ficam situados o Ministério da Economia, Finanças e Indústria,   o "palais omnisports" Bercy Arena, o Parque Bercy, a Cinematheque Française, o cinema multiplex UGC, o edifício Lumière (antigo edifício Zeus), o maior edifício privado em Paris, o Museu de Artes do Circo, a Cour St Emilion e o centro comercial Bercy Village.


Bercy na Rive Droite e Olympiades e Italie XIX na Rive Gauche são resultado dos mais recentes esforços da cidade em termos de modernização da área urbana. Bercy é considerado o que deu melhor resultado.


  O hotel tem boas acomodações. Os quartos são pequenos, o banho exite algum contorcionismo. Pelo menos na parte que ocupei, pressentia-se que havia sido reformada recentemente. Houve um cuidado especial em termos de decoração nos corredores. Como se pode ver da foto acima: desenhos no carpete do chão à frente das portas dos elevadores.

(
 Situado ao lado de um Novotel, que igualmente encontra-se em obras, nota-se que o Ibis Styles de Bercy foi objeto de reforma recente.

O acesso ao metrô fica a cerca de 150, 200, metros do hotel.

Para mais informações, clique aqui

28 de julho de 2015

A "Casa do Terror" de Budapest - "Terror Káza" - "House of Terror"

É um lugar impressionante o Museu Casa do Terror em Budapest. Nele estão reunidos vestígios do nazi-fascismo húngaro (que dominou o País ao final da Segunda Guerra Mundial) e da ocupação soviética (até a desagregação da URSS em 1991). Para não ficar chovendo no molhado, vai reproduzido após as fotos, em tradução e com alguma adaptação, o sintético verbete em Francês da Wikipedia sobre a "Terror Káza", bem como o link para o verbete em Inglês, que é mais amplo.

O prédio restaurado em 2000 no número 60 do Boulevard Andrássy

Homenagem à memória dos que perderam a vida na Terror Káza I

Homenagem à memória dos que perderam a vida na Terror Káza II

No hall de entrada, o registro de que o Museu abriga referências às atrocidades praticadas por nazistas e soviéticos



 O endereço histórico...
"A Casa do Terror (...) traça a história de sucessivas ditaduras sofridas pelo país. Fundado em Budapeste, em 2000, sob o governo de Viktor Orbán, está localizado em um lugar altamente simbólico, o número 60 da Av. Andrássy. O local, depois de servir de sede para o "Partido das Setas Cruzadas", subordinado ao regime nazista alemão, até 1944, foi transformada sob o regime da República Popular da Hungria na sede da polícia política comunista, a" AVH.
Fundada por iniciativa da "Fundação para a pesquisa e estudo da história e sociedades da Europa Central e Oriental", o lugar é acima de tudo um local de memória em honra das vítimas de ambas as ditaduras.
O acervo do museu preserva particularmente os aspectos referentes às atrocidades cometidas tanto pelo governo pró-nazista pelo governo húngaro controlado pelos soviéticos no período do Pós-Guerra, tais como deportações para o Gulag soviético, o assassinatos políticos, os interrogatórios, o contraste entre a perseguição política e o culto das grandes figuras do partido.
Respeitando a sequência cronológica, o passeio termina com as caves do edifício, nas foram reconstruídas as celas dos presos políticos, os locais de tortura. Também há referência às barricadas da insurreição de Budapeste de 1956."

Links: 

Bônus: em frente ao Museu, um pedaço do Muro de Berlin

(Fotos do proprietário do blog realizadas no local em 24/08/2013)

1 de maio de 2015

Hotel Pennsylvania - Penn Hotel - Sugestão de hotel em New York

 Esteve para ser demolido, afim de dar lugar a um moderno prédio comercial. Mas o espírito preservacionista dos novaiorquinos, desencadeado justamente a partir da demolição da Penn Station para dar lugar ao Madison Square Garden, que fica do outro lado da rua, não permitiu.
 O Guia de NY da FSP indica o Pennsylvania Hotel como um dos pontos historicamente relevantes da região de Chelsea/Garment Disctrict. Era onde se hospedavam todas as "big bands" dos anos 1930 quando se apresentavam em NY. Gleen Miller compôs Pennsylvania 6-500, o número era o do telefone do hotel na época. 

 Fachada do Penn Hotel


 É um hotel enorme, movimentadíssimo. Está em amplas (e bem necessárias) reformas. O quartos não são apertados, mas não têm frigobar e a calefação,pelo menos no quarto em que fiquei hospedado, não funcionava. Mas é limpo e o atendimento é eficiente. 

O velho Penn está em obras de restauração

Dá, sim, para ficar hospedado nele. É um dos hotel para os quais a CVC leva seus clientes. Situa-se na 7ª Av., fica perto do metrô, de inúmeros pontos de ônibus, tem táxi na porta, e também é próximo de vários ponto de partida de inúmeras linhas de ônibus intermunicipais (não tem rodoviária, pega-se os ônibus na beira da calçada mesmo).
Texto e fotos de autoria do proprietário do blog, em abril de 2015. 

Mais sobre o Penn Hotel: https://en.wikipedia.org/wiki/Hotel_Pennsylvania

10 de março de 2015

Memória do socialismo e da imprensa socialista em Viena

Caminhando pelas ruas de Viena, deparei-me com o prédio que aparece nas fotos desta postagem. Chamaram a minha atenção tanto a beleza da concepção arquitetônica do edifício quanto o que constava inscrito no alto do pórtico de entrada: Vorwärts Studienzentrum und Museum.


Andei pesquisando e descobri que o prédio (Vorwärts-Gebäude) foi a sede do  Partido Social-Democrata austríaco e da editora (Vorwärts-Verlag) que produzia o jornal "Vorwärts" (Avante!).

Posteriormente, a editora foi levada para outro local  e, por fim, acabou fechando. Boa parte do prédio da Rechte Wienzeile foi negociado para a construção do Hotel Ananás, que fica ao lado, restando intacta apenas a abriga agora o centro de estudos e museu.

Mais informações:

Texto e fotos do proprietário do blog.
Texto redigido em março de 2015.

1 de março de 2015

La Vallée Village, o outlet a oeste de Paris

Já tinha ouvido falar que na altura "da penúltima estação" da linha do trem de subúrbuio (RER) que leva à Disneyland de Paris existe um excelente outlet. 
Quem me passou a informação foi bem enfático: "não tem como errar: é só comprar o bilhete em uma estação que dê acesso à Linha 4 do RER  e desembarcar na gare Serris/Montévrain" (a estação da Disney é a seguinte, a fim de linha: Chessy). 
Ao efetuar a aquisição do bilhete no terminal automático é preciso registrar as estações de partida e de chegada. É conveniente bilhete de comprar a ida e volta.


A gare do RER para acesso ao La Valee Village é a Serris-Montévrain

Em um domingo ensolarado de setembro de 2014, início da primavera, fui lá conferir. 
Na estação, do lado de fora, há um ponto onde se pode tomar, grátis, uma "navette" (van) que leva até o La Vallée Village
Além das lojas, distribuídas em pequenas casas, como numa cidadezinha (daí o nome Village), há locais de refeições rápidas, espaço para as crianças brincarem enquanto as mães fazem compras e, evidentemente, estacionamento para automóveis. 

No mapa, mais a esquerda, aparece a gare Serris/Montévrain e um pouco à direita do centro, em preto, a localização do outlet La Valee Vilage

O centro centro de compras está localizado na que pode ser considerada uma das mais novas áreas do conurbano parisiense. O projeto começou a ser concebido ainda nos anos 1960, foi tomando corpo nas décadas seguintes e chegou ao auge com a instalação do parque francês da Disney. 
Ao contrário do urbanismo funcionalista dos anos anteriores que enfatizava o privilégio à fluidez do trânsito e levou à desumanização das cidades, a concepção mais moderna firmou-se no sentido de humanizar o mais possíveis as áreas urbanas, especialmente buscando uma combinação de partes dedicadas aos negócios e outras destinadas a imóveis residenciais. Assim surgiu, entre outras, Marne-La-Valée, da qual faz parte Val d'Europe, que inclui Serris e Chessy/Montévrain.


O La Vallée Village.integra a rede Chic Outlet Shopping, que tem projetos semelhantes em outras capitais européias, garantindo preços até 60% mais baratos para marcas famosas


Texto e fotos do proprietáro do blog. 
Redigido em fevereiro de 2015.

2 de fevereiro de 2015

Hotel Paris de Rio Grande


As fotos desta postagem são de 2008. Fiquei hospedado neste hotel lá por 1972/74. O prédio é interessante porque mescla características da arquitetura colonial portuguesa com alguma influência da arquitetura mourisca, particularmente pelo jardim interno. Atualmente, não tenho idéia de como se encontra. Na versão anterior deste blog, foi a postagem que teve mais acessos, conforme indica o próprio Blogger. Por isso a estou repetindo agora.




Texto e fotos do proprietário do blog

26 de janeiro de 2015

La Defense, a Manhattan "à la française"

1950! A guerra havia terminado há pouco mais de cinco anos. Muita coisa precisara ser reconstruída neste meio tempo, pois a França fora duramente bombardeada pelos Aliados no esforço de desalojar os alemães que a ocupavam. Depois de reconstruída a infra-estrutura de transporte assim como os meios de produção (fábricas etc...), chegava a hora de tratar da questão imobiliária. No caso de Paris, não obstante a grande reforma promovida urbanística e arquitetôica promovida na segunda metade do Séc. XIX, por Napoleão III e Haussman, a cidade agora enfrentava escassez de imóveis residências e boa parte dos existentes estavam em precárias condições, particularmente em termos de salubridade. Ao mesmo tempo, a população passava a crescer rapidamente, em decorrência do êxodo rural e da imigração (argelinos, vietnamitas, chineses...).
A saída imediata tentada por estímulo oficial foi a de construção de grandes conglomerados residenciais, num primeiro momento, e até mesmo de novas cidades, numa segunda etapa (mas isto é outra história). Na linha dos grandes conjuntos residenciais é que surgiram, entre outras (como Italie XIII e Front de Seinne) a iniciativa que hoje em dia se apresenta como a mais vistosa, embora combinando imóveis residenciais com, principalmente, imóveis comerciais (escritórios): o "Quartier La Defense".

Esta foto retrata Courbevoie como era originalmente. De novo apenas o pavilhão da CNIT e, no centro do rond-point a estátua La Defense

Agora não é mais, mas já foi moda pontilhar as cidades de estátuas, muitas vezes com a função de exocisar traumas. Foi assim com a estátua erguida no "rond-point" de Courbevoie, uma localidade limítrofe em relação a Paris. Com a estátua, os parisienses homenageavam os soldados que defenderam a capital francesa durante o cerco a que foi submetida pelas tropas do Kaiser durante a Guerra Franco-Alemã de 1870.
Era um caminho natural, a expansão de Paris em direção a Courbevoie e suas vizinhas Nanterre e Puteaux. Bastava estender, em direção a Courbevoi, o Eixo Histórico de Paris - que se inicia no Museu do Louvre, se projeta pela Avenue des Champs Elysèes, transpassa o Arco do Triunfo e segue, pela Avenue de La Grand Armée, até a Porte Maillot, o marco do limite oeste da cidade.
Daí por diante havia um amplo território disponível para novas construções, aproveitando os terrenos que até então eram ocupados pelos pavilhões de inúmeras indústrias em vias de desativação. A primeira construção nesta área foi o pavilhão do "Centre de Nouvelles Industries e Technologies"(CNIT), idealizado originalmente como centro de feiras e hoje predominantemente um centro comercial. Ao longo das vias já existentes em Courbevoie, um grupo de urbanistas convocado pelo governo francês projetou uma sucessão de edifícios dentro do princípio elementar estabelecido por Haussman, o da harmonia arquitetônica, fundamentado no gabarito¹ uniforme.


A primeira concepção de La Defense era bem comportada, ainda seguia os princípios de harmonia arquitetônica estabelecidos por  Haussmann para a grande reforma de Paris da segunda metade do Sec. XIX

Depois do pavilhão do CNIT, foi construído o primeiro prédio de escritórios, o da petroleira Esso; o que se configura bem sintomático pois a época era caraterizada pelo rápido crescimento da indústria automobilística e, consequentemente, pela expansão do comércio de combustíveis derivados do petróleo.
O sonho da "Manhattan à la française" sofreu, porém, seu primeiro revés justamente com a Crise do Petróleo de 1974, que, de quebra, pôs fim aos "Tente Glorieuses", as três décadas de progresso que a França vinha vivendo desde os anos 1950.

  
Ilustração que se encontra no museu Cité de l'architecture et du patrimoine situado no Palais de Chaillot no Trocadero

  
Painel que faz parte da exposição no museu Cité de l'architecture et du patrimoine

O fato de o primeiro prédio ter sido um pavilhão dedicado às "Nouvelles Industries" também deixa evidente o espírito francês da época - de modernidade, vanguardismo, pioneirismo. Afinal, a França desenvolvia sua própria pesquisa na área nuclear, tinha seus submarinos, seus mísseis, dispensara a proteção da OTAN contra a ameaça da Rússia soviética, produziram por sua conta o belo jato de passageiros Caravelle (e, logo em seguida o supersônico de passageiros Concorde), vivia a "Nouvelle Vague" no cinema, o "Nouveau Roman" na literatura e ditava nova com Chanel reabilitada.
Mas o que prejudicou mesmo "La Defense" foi a adoção dos princípios do Urbanismo Funcionalista, inspirado pelo arquiteto-urbanista Le Corbusier, como resposta à cada vez maior presença do automóvel nas cidades. Os funcionalistas entendiam que deveriam ser separados os espaços para os transeuntes e os destinados aos automóveis. Uma das saídas foi estabelecer o princípio do "urbanismo sobre laje" ("urbanisme sur dalle"). 
Note-se que, nesta maquete, a concepção já é completamente diferente. A simplicidade dos primeiros traços esta totalmente perdida  

Em http://diretodeparis.com/ladefense/ encontra-se esta descrição perfeita: "La Défense tem um nível 'superior', com escritórios, comércios, restaurantes e residências, interligados por uma imensa esplanada.  (...) Outro nível, subterrâneo, comporta a rede de circulação de automóveis e ferroviária (trens e metrô passam pelo bairro) – e vários estacionamentos". 
A "imensa esplanada" é que, na opinião de muitos, faz a diferença pior, não obstante "várias obras de arte, fontes e áreas verdes embelezam o lugar" (ibidem). O resultado, de fato, é a um ambiente opressivo no nível inferior e um aspecto frio, inóspito - um deserto de concreto - na parte superior a céu aberto (e, no inverno/primavera sopra do leste um vento frio forte e muito desagradável).
Ao longo de sua história, "La Defense" sofreu diversos percalços. Foi como um romance, onde o escritor inicia se propondo um tema a desenvolver, mas, à media que avança, personagens e situações vão tomando um rumo completamente diverso. Pode-se dizer que "La Defense", hoje em dia, está em sua terceira fase. O edifício da Esso há muito foi demolido (os europeus, de um modo geral, destroem e reconstroem prédios com uma facilidade incrível!). 
Outra maquede no sentido Paris-La Defense


A mesma maquete anterior no sentido La Defense-Paris

Na fase atual, o princípio inicialmente estabelecido de harmonia arquitetônica foi totalmente abandonado e a altura dos prédios não é só variada como totalmente ilimitada. Além disso, em que pese a proposta inicial prever que o "La Defense" fosse uma zona mista de imóveis comerciais e residenciais², a parte residencial vem sendo cada vez mais deixada de lado, dando-se preferência aos prédios de escritórios. Para construí-los, há registro até de que residentes tenham sido praticamente forçados a desocupar algumas moradias. A realidade atual praticamente não tem mais nada a ver com a concepção inicial. Observando-se as maquetes acima, nota-se que em frente ao pavilhão da CNIT havia a previsão de um prédio bem alto, para contrastar. Mas, no lugar, hoje em dia, há um enorme centro comercial, o "Le Quatre Temps" (foto a seguir), um grande shopping-center vertical, que é muito fácil de acessar, pois tem no subsolo uma estação de metrô e outra de trens para os subúrbios, mas que arquitetônicamente não tem nada de singular. 


O Le Quatre Temps

O Grande Arco


Ah! "La Grande Arche de la Défense" não constava do projeto original. Foi construído posteriormente e fez parte dos "grands travaux" do megalômano François Mitterrand. Projetado para marcar os 200 anos da Revolução Francesa, teve concepção dos arquiteto e engenheiro dinamarqueses. A idéia era fazer uma contraposição "extra-muros" ao arco do Triunfo situado no coração de Paris, pois ambos estão no mesmo alinhamento. Como marketing, como propaganda, cumpriu seu papel, mas não deixa de ser uma concepção esdrúxula. Pior é que está sofrendo graves problemas estruturais e de deterioração. O topo do arco, que abrigava órgãos públicos, está fechado por medida de segurança. Há obras de restauração, mas a utilização futura será para usos que demandem menos carga, como restaurantes.


 O artificialismo caracteriza a esplanada de La Defense, em que pese as inúmeras tentativas de torná-la menos desumanizada

Resumo da ópera
Ao fim e ao cabo, os grandes projetos fundados no conceito de funcionalismo urbano não deram certo, particularmente em decorrência do artificialismo que os caraterizou. Outros projetos que adotavam os mesmos princípios vieram a ser gradativamente abandonados, em favor de soluções menos tecnocráticas e mais humanizadas. La Defense continua, pois há todo um esforço dos seus gestores em buscar compensações e alternativas para os problemas detetados ao longo da sua existência.

Redigido em 20 de janeiro de 2015.
As ilustrações reproduzem o que se encontra no museu do Palais de Chaillot. 
Todas as fotos são do proprietário do blog.

Notas
1 - "Nome que se dá ao limite regulamentar de altura a que devem obedecer as edificações dentro de determinada área" (http://www.dicio.com.br/gabarito/)
2 - Uma das preocupações dos franceses é com a "mixité" das funções e dos próprios usuários das áreas urbanas

Mais sobre La Defense em:
http://fr.wikipedia.org/wiki/La_D%C3%A9fense

Mais sobre urbanismo da laje em:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Urbanisme_sur_dalle


Mais sobre

Cité de l'architecture et du patrimoine